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Transar pode ser um excelente e prazeroso meio de alcançar a sabedoria e a união com o divino: esta é a tese dos orientais Por Jesse Navarro |
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O
ritual da transa |
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As
roupas: Após o banho das 6 da manhã, os dois vestem
roupas confortáveis - de preferência, túnicas feitas
especialmente para a ocasião. A dele será vermelha e a dela,
violeta. |
As
comidas: Durante todo o dia, a alimentação será
bem leve e à base d frutas. A mulher come bananas, que lembram
o sexo masculino, e o homem come mamão, que lembra o sexo feminino.
Outras frutas serão comidas por ambos, indistintamente. É
o caso da maça (associada ao conhecimento), da pêra (associada
ao útero), do caqui (associado à sexualidade), do pêssego
(associado aos seios), do morango (associado ao coração
e, portanto, à capacidade de amar). Se optarem por uvas (associadas
ao sêmen), o homem deve colocá-las, uma a uma, na boca da
mulher, e vice-versa. O mel também será incluído
na dieta desse dia especial. |
O
relaxamento: Para alimentar o espírito, o casal deve ter
muita poesia e ouvir música clássica e new age.
A longa e gostosa preparação para o momento de êxtase
deve incluir massagens relaxantes nos ombros e na sola dos pés,
com óleos perfumados. Não se preocupe com a técnica
da massagem: sua intuição será o melhor guia, nesses
momentos. |
A
energização: Os mudras (gestos que emitem energia)
são outro elemento importante do ritual. No mais comum deles, as
mãos se posicionam como para uma oração, em frente
do peito, e cada pessoa visualiza a energia fluindo do seu coração
para o do seu par e envolvendo ambos os corpos numa luz violeta. |
O
aposento: Após o banho das 6 da tarde, os dois se recolherão
ao quarto, que deve estar iluminado por uma vela e enfeitado com flores
vivas, plantadas em vasos. A orquídea e a margarida são
as mais indicadas. A cama receberá um lençol virgem, branco
ou cor-de-rosa. Queimar incenso (com perfume de sândalo) ajudará
a criar o ambiente mais propício para a magia. |
O
fortalecimento dos sentidos: Já nus, o homem e a mulher
sentam-se, face a face, e cada um pinta com guache um ponto vermelho entre
as sobrancelhas do outro. É o olho de Shiva, que fortalece
a intuição e a capacidade de sentir, de interiorizar tudo
o que acontece. Enquanto se olham nos olhos, sem qualquer preocupação
de analisar o que estão fazendo, ambos voltam seus pensamentos
para Shiva e Shakti e mentalizam exclusivamente coisas boas. Alguns mantras
(sons sagrados) devem ser entoados oito vezes seguidas. Om Klim Krom
e Om Sri Gam, por exemplo, farão aflorar o amor sincero
e removerão todos os obstáculos à felicidade. |
A
transa: Finalmente, os dois se entregam ao ato sexual propriamente
dito. Sem ansiedade nem freios, vão se estimular e se satisfazer
lenta e delicadamente, como se dançassem ao som de uma melodia
muito suave e elaborada. Gestos violentos, angulosos ou apressados são
"proibidos", mas o fundamental é seguir a própria
intuição. Com o tempo e o conhecimento do ritmo e das preferências
do par, ambos conseguirão uma harmonia tão completa que
poderão adiar o êxtase por quanto tempo quiserem. Aliás,
nos rituais drávidas, a ejaculação nem costumava
ocorrer, já que o ato sexual não tinha, no caso, o fim de
promover a procriação. Mas esse controle total é
quase impossível para as pessoas com uma educação
ocidental, como a nossa, e não convém persegui-lo obsessivamente.
Tudo deve ocorrer de modo natural, para que os amantes relaxem tão
profundamente que o pensamento acabe sendo abolido. Assim, a transa se
torna uma forma de meditação. A espontaneidade é
fundamental, pois o amor tântrico é uma forma natural de
promover o encontro de Shakti com Shiva e despertar o divino que mora
em nós. |
| Maithuna
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- A Arte do Amor Infinito
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