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      Esquemas Geométricos para a Meditação (Yantra)

      Um yantra é um esboço dos níveis e energias do universo - personalizado na forma de uma determinada divindade (devatâ) - e, logo, do corpo humano (que é a réplica microcósmica do macrocosmo). O yantra pode ser desenhado em papel, madeira, tecido ou qualquer outro material, ou até na areia, se não houver outra alternativa. Conhecem-se também modelos tridimensionais feitos de argila ou metal. O yantra tem função semelhante à da mandala ("círculo") usada no Tantrismo tibetano. A diferença é que a mandala tende a ser mais figurativa (isto é, inclui desenhos de seres e objetos) e se baseia num arranjo circular dos elementos constituintes. O típico yantra consiste numa orla quadrada que envolve círculos, pétalas de lótus, triângulos e, no centro, o "ponto seminal" (hindu). Cada componente tem uni simbolismo de variável complexidade. Assim, o triângulo que aponta para cima significa Shiva, o pólo masculino da realidade, ao passo que o triângulo que aponta para baixo significa Shakti, o pólo feminino. O ponto central é a matriz criativa do universo, o portal que se abre paria própria Realidade transcendente.

      Nos estágios mais elevados da prática tântrica, o yantra deve ser completamente interiorizado, ou seja o yoguin deve ser capaz de construir mentalmente o Seu complexo desenho geométrico por meio da visualização. O yantra pode ser criado do ponto interno para fora - segundo o processo da evolução macrocósmica - ou da circunferência exterior par, o centro - ­de acordo com o processo microcósmico de involução meditativa. Depois de construir interiormente o yantra em todos os seus detalhes, o yogin passa a decom­pô-lo novamente. Como a consciência dele identifica-se à estrutura do yantra, essa decomposição implica necessariamente a extinção dele enquanto sujeito da experiência. Em outras palavras, quando o yogin obtém êxito nessa pratica avançada, ele transcende a sua mente condicionada e é lançado no puro Ser -Cons­ciência - Felicidade, onde não existe a distinção entre sujeito e objeto.


Kâlî-Yantra

      O Tantrismo emprega um grande número de yantras. O Capítulo 20 do Mantra-Mahodadhi ("Grande Oceano dos Mantras") descreve vinte e nove yantras. O mais famoso de todos é, sem duvida, o shrî-yantra, reproduzido a seguir. O nome shrî refere-se a Lakshmî, deusa da boa fortuna. Este yantra é composto de nove triângulos justapostos que se dispõem de tal modo que, juntos, produzem um total de quarenta e três triângulos menores. Dos nove triângulos principais, quatro apontam para cima e representam a energia cósmica masculina (Shiva); cinco apontam para baixo e representam o poder feminino (Shakti). Esses triângulos são rodeados por um lótus de oito pétalas que simboliza o deus Vishnu, o qual se identifica à tendência ascendente que preenche todo o universo. O lótus seguinte, de dezesseis pétalas, representa a obtenção do objeto desejado     em particular, para os yogins, o poder sobre a mente e os sentidos. Ao redor desse lótus temos quatro linhas concêntricas que se ligam simbolicamente aos dois lótus. A orla feita de três linhas é chamada de "cidade da terra" (bhû-pura) e representa o lugar consagrado, que pode ser todo o universo ou, por analogia, o corpo humano.


Tripurâ – Sundarî - Yantra

      Alguns yantras rituais também são empregados para fins terapêuticos. Além disso, para a obtenção de curas mágicas, podem-se criar yantras específicos para uma doença ou uma pessoa, que são usados como amuletos. Em todos os casos, a eficácia do yantra depende da qualidade da concentração e da visualização do adepto, bem como do seu domínio sobre as energias sutis.


Shrî-yantra


Yantras Tântricos e Hindus

Tripur Sundari
Estimula Sexualidade e Poder

Bhuvaneshari
Alegria e Vitalidade

Tripur Bhairavi
Energia Física

Ganesha
Prosperidade e finanças prósperas

Kali-Yantra
Transformações profundas
(só utilize esse símbolo se tiver
certeza que desejas vivenciá-las)


Tara Yantra
Estimula a Cura e Bem Estar

Durga Yantra
Energia, Saúde e Força,

Shri Yantra
Meditação, é o mais forte de todos
os símbolos que conheço

Chinnamasta
Transmuta Orgulho, Ego e Ignorância, facilita lidar-se
com perdas


Matangi

Kamla Yantra
Atua no chakra cardíaco despertando o amor próprio e a auto estima

Bagla Mukhi


Dhumavati



 



     Os Pentáculos Mágicos apresentados a seguir foram recolhidos pelo Abade Julio Houssay de livros antigos, os Benedicionais, que continham estes símbolos mágicos criados na Idade Média.
     Através de seus símbolos e de um alfabeto especial cujas letras encerram poderes mágicos, cada Pentáculo foi estudado e interpretado pelo Abade Houssay, resultando nos formatos apresentados a seguir. São utilizados como poderosos talismãs de proteção, podendo ser colocados no carro, em casa ou carregados na carteira, na bolsa ou no bolso. Também podem ser reproduzidos em jóias, roupas ou objetos pessoais.
     Recomendamos seu uso com sabedoria e prudência, lembrando que, apesar dos poderes a eles conferidos, sua presença não dispensa ajuda médica em casos de doenças.

Santa Trindade

Para qualquer tipo de benção e todo tipo de pedidos ou doenças
Pai Eterno

Signo sagrado muito poderoso, que serve para qualquer tipo de dificuldade, desde que a criatura necessite da ajuda do criador
Triângulo Divino

Contra espíritos malignos. Para obter uma graça muito desejada – bom casamento, mudança de vida, aprovação num concurso, aumento de ganhos, diminuição de doenças graves.
Monograma de Cristo

Signo de vitória e de grande proteção. Serve de escudo contra inimigos, sobretudo contra emboscadas de espíritos malignos. Também ajuda no restabelecimento dos doentes.
Santa Face de Cristo

Figura de grande poder contra as doenças humanas e dos animais. Pode ser afixado nas casas, estábulos, etc.
Lâmpada das Catacumbas

Este pantáculo é poderoso na defesa contra todos os inimigos, conhecidos ou desconhecidos, visíveis ou invisíveis, desta Terra ou do Outro Mundo. É empregado também para proteger contra calúnias.
Chaga do Costado
de Cristo


Quem usar esta figura obterá grande alívio para seus males e grande proteção para suas atividades. Também sairá vitorioso contra seus inimigos.
Monograma de Maria

Usado para defesa e proteção de crianças principalmente à noite. Evita pesadelos, espíritos malvados noturnos, insônias, obsessões e possessões.
Três Reis Magos

Ajuda nos casos de epilepsia e doenças de origem nervosa
Touro Alado

Signo utilizado nas questões relativas ao trabalho, à força e à fecundidade.
Leão Alado

Usado em casos de calamidade pública e perseguição por inimigos implacáveis.
Águia

Signo usado para proteção de todos os sacerdotes, curadores e agentes do bem.
Dragão

Contra os demônios e espíritos malvados, os animais venenosos e ferozes. Também ajuda nas viagens por terra, mar e ar.
Bispo

Contra as situações difíceis, embaraçadas, impossíveis e desesperadoras.
Uvas

Signo da abundância na família.
Fogueira

Contra feitiços malévolos, sortilégios e meios diabólicos.
Santa Hóstia

Protege contra a ruína e a pobreza.
Amor Puro

Ajuda na vida amorosa, no casamento e nas uniões românticas.
Flor de Lis

Para receber o perdão dos pecados e recobrar a pureza original. Ajuda também na purificação da alma.
Escudo

Protege contra os inimigos em tempos de guerra, revolta e agitações sociais.
Olho de Deus

Contra todo tipo de mau-olhado.
Cálice e Pomba

Para a pureza corporal e contra todas as doenças que atacam a pele.
Nome Divino

Protege de um grave perigo mortal, do desespero nos momentos em que nos sentimos abandonados e esquecidos por todos.
Conjuro
Todo-Poderoso

Defesa contra o inimigo invisível que nos rodeia e nos ataca sem trégua. Deve ser usado com prudência
Pentagrama

Preserva de todo o mal, principalmente dos ataques demoníacos e das entidades negativas do astral. Atua também contra calúnias, intrigas e difamações.
Nome Divino II

Usado para boa fortuna, prosperidade, sucesso no comércio, bênção da família e da casa.
Nome Divino III

Para segurança nos momentos de dificuldades financeiras, na procura de um trabalho honesto, conferindo saúde e coragem para enfrentar a vida.
Amor Atormentado

Ajuda nos casos amorosos perdidos e atribulados, nas rivalidades e nas desordens íntimas.
Cordeiro

Contra as doenças que atacam os animais a serviço do homem.
Três Caminhos

Ajuda na escolha na mudança do rumo da vida. E na tomada de uma decisão importante.
Montanha

Protege a terra cultivada, os campos, as vinhas e os jardins.
Paisagem

Contra as doenças e acidentes que possam ser causados pela água e pelo fogo.
Triângulo Protetor

Signo de proteção do lar e de toda a família.
Arcanjo Miguel

Poderoso signo contra os malefícios do demônio. Para quem esteja atormentado por causa desconhecida. Também pode ser empregado para descobrir coisas ocultas.
Anjo da Guarda

Poderoso signo para vencer as insônias, pesadelos, inquietações e angústias inexplicadas
Anjo da Justiça

Contra litígios, processos e ataques injustificados de pessoas mal-intencionadas.
Fórmula de Cura

Signo usado em circunstâncias graves, doenças sérias e persistentes.
São Colombano

Este signo bento e consagrado é empregado contra as formas de loucura e desequilíbrio mental, contra a fúria, nervosismo e depressão.
Bênção de Santo Antonio

Usado diante de tentações, aflições ou qualquer tipo de situação maléfica.
Anjo da Prece

Quem se encontra submerso nas águas amargas da dor deve invocá-lo para que sua alma se eleve e não se abata jamais. Este signo é bom contra os reverses da fortuna causados por inimigos ou pela própria imprudência.
Arcanjo Gabriel

Signo de paz, boa saúde e sucesso em toda empreitada. Acalma os desentendimentos, as disputas e os combates.
Arcanjo Rafael

Para a cura de todas as moléstias psicológicas. Este signo defende contra as adversidades, contra um inimigo pessoal conhecido e as força naturais descontroladas.
Cruz

Este signo dá força e paciência para suportar o inevitável: sacrifícios, grandes perdas e despedidas.
São Bento

Emprega-se com completo sucesso como defesa contra todos os ataques dos espíritos malvados da Terra, do Outro Mundo dos infernos.

 

Extraídos do Livro das Orações Mágicas, de autoria do Abade Julio Houssay, http://oplivros.com.br



Yantra-Yoga: A Geometria Divina

      EM SEU ESFORÇO para intensificar consciência e transcender suas ordinárias limitações, os yoguis tira­ram vantagem de toda a gama das expressões e potencialidades humanas. Assim, utilizaram, por exemplo, a capacidade ativa para constituir o Karma-Yoga; a inata capacidade devocional para o Bhakti-Yoga; a capacidade de produzir complexos padrões sonoros para o Mantra-Yoga; a capacidade de concentração para o Râja-Yoga; e a faculdade do discernimento para o Jnâna-Yoga. Além disso, como seria de se espe­rar, os yogins também fizeram uso do nosso sentido mais poderoso - o sentido da visão - associado à nossa capacidade de visualização.

      A disciplina yogue depende essencialmente da concentração interna ou da capacidade de fixação da atenção. Em algumas escolas, essa concentração toma por objeto uma visualização propriamente dita, uma forma criada pela imaginação. Um objeto visual definido é conservado no campo de atenção da mente por um período prolongado a fim de produzir uma mudança na consciência. O Tantra, por exem­plo, emprega desenhos geométrico chamados yantras, que são considerados instrumentos altamente eficientes para concentrar a mente dispersa.

      Segundo a filosofia tântrica, as muitas formas do universo não têm somente a sua figura característica perceptível pelo olho, mas também toda uma "cos­mografia” específica. Ou seja, todas as coisas ani­madas ou inanimadas - levam dentro de si um "registro" fiel da sua gênese. Além disso, nesse registro está contida também a história do cosmos como um todo. Isso acontece porque até mesmo as menores partículas do cosmos refletem a sua estrutura total. Nesse sentido, pode-se dizer que toda forma perceptí­vel é um yantra.

      Essa maneira de encarar a existência é típica de to­das as sociedades tradicionais, que vêem o mundo co­mo um acontecimento sagrado. Tradicionalmente, a religião sempre foi um reconhecimento da existência de um vínculo real e efetivo entre o Céu e a Terra. Os templos e pirâmides do mundo antigo foram construí­dos para sublinhar esse vínculo. Foi só numa época muito recente que essa visão do mundo começou a ser progressivamente destruída pela ideologia do cientifi­cismo, que busca desmitologizar" toda a existência, esquecendo-se que nem só do intelecto vive o homem.

      Buscando sempre a simplicidade da compreensão e a reconstituição de um vínculo efetivo com o sagrado, os metafísicos do Tantra chegaram à conclusão de que todas as formas cósmicas podem ser reduzidas a um número definido de figuras geométricas primárias, co­mo o ponto, a linha, o triângulo, o quadrado e o cir­culo. Reconhece-se nesses elementos um valor simbó­lico fixo. Quando se combinam, considera-se que expressam as qualidades particulares que se incorpo­ram em certos aspectos da criação.

      No sentido técnico mais estreito, o yantra é um padrão geométrico complexo empregado especificamente no Tantra como "instrumento” - a tradução literal do nome yantra  da interiorização da cons­ciência e da transcendência da mente vulgar. 0 Tantra-Tattva (folha 519), texto tântrico tardio, afir­ma que o yantra tem esse nome porque controla (nix_ antrana) as paixões e, logo, também o sofrimento.

       O yantra é considerado um vaso ou sede de deter­minadas divindades que representam as grandes for­ças criativas do universo  como Lakshmi-  porta­dora da boa fortuna), Vishnu (aquele que está em tudo) e Ganesha ou Ganapati (aquele que remove os obstáculos), o deus da cabeça de elefante.

      Durante uma típica cerimónia tãntrica, essas divindades são invocadas pela recitação de sons de poder (mantra), gestos sagrados (mudrâ), exercícios respiratórios (prânâyâma) e uma grande variedade de outras técnicas rituais. Uma das práticas principais consiste na criação do Nanara próprio da divindade a ser adorada. Para tanto, a figura geométrica é desenha­da no papel, na madeira ou sobre a areia, ou gravada em metal, ou às vezes modelada em três dimensões.

      Porém, não basta desenhar ou modelar o yantra externamente. Aos poucos, o praticante do tantra tem de estabelecer o yantra dentro de si por meio da visualizaçao e da concentração intensas. Tem de construir na própria mente um vivido modelo tridi­mensional do yantra. Ou, antes, tem de vir a perceber pela experiência que seu corpo é, na realidade, idên­tico à forma do yantra.

      Trata-se de um processo difícil e prolongado. Para nós, modernos, pode parecer até mesmo uma tarefa impossível, visto que já não gozamos da excelente memória que tinham os nossos antepassados. As sociedades tradicionais não transmitiam seus conhe­cimentos por escrito, mas de forma oral. Os hinos dos Vedas, por exemplo, bem corno as passagens em prosa e verso dos Upanishads, eram originalmente memori­zados, e com uma precisão assombrosa. Entretanto, com o uso cada vez mais extenso dos livros, essa mara­vilhosa faculdade mnemônica foi quase completa­mente perdida. Mas a memória é crucial para o tipo de visualização necessária no Yoga, especialmente no Tantra-Yoga.

      O yantra construído na mente tem de se tornar uma experiência tão intensa que parece algo vivo. Quando o praticante alcança o êxito nessa obra inter­na, o yantra se torna um campo de força vibrante que absorve completamente a sua atenção. Com o tempo, ele já não sabe se é o yantra que está dentro dele ou ele que está dentro do yantra. Sua consciência é leva­da paulatinamente a um estado de absorção profunda no qual já não percebe os objetos corpóreos que a rodeiam. Seus sentidos já não registram os estímulos externos e a pessoa vive completamente dentro de seu mundo interno. Por fim, ela toma consciência da própria divindade (isto é, a força criativa personaliza­da) do yantra.

      A absorção meditativa (dhyâna) é caracterizada por uma gradual abolição da distinção entre o sujeito e o objeto, distinção essa que é o próprio pilar da consciência vulgar de vigília. No final do processo chega-se à unificação completa dos dois pólos da experiência, a fusão entre o conhecedor, o objeto conhecido e o próprio ato de conhecimento. Nesse ponto se transcende toda a dualidade. Esse estado se chama samâdhi ou "êxtase".

      Existem dois tipos fundamentais de samâdhi, um "interior" e uma "superior". O primeiro tem por base uma “forma” (rûpa) ou ponto focal , com o qual o sujeito da experiência entra em tusão. No outro tipo de samâdhi, desaparecem todos os conteúdos da cons­ciência. Esta, em sua forma suprema (cit), permanece recolhida em si mesma. A consciência empírica e temporariamente abolida, dando lugar à "testennu­nha" (sâkshin) transcendental. E esse o estado que se chama de libertação ou realização do Si Mesmo.

      A experiência meditativa da divindade de um determinado yantra se encaixa na modalidade "infe­rior„ do samâdhi. É considerada uma preparação importantíssima para a realização final do Si Mesmo É universal

      No começo da Pratica: paradoxalmente, deve-se trabalhar com um yantra mais complexo. Uma vez atingida, pelo exercício regular, um certa medida de êxito na visualização e na concentração, o yantra pode ser grandemente simplificado. Pode ser cons­truído, externa ou internamente, de dois modos. Pode ser imaginado a partir do ponto central (hindu) para fora, de acordo com o processo de evolução cós­mica; ou pude ser visualizado da circunferência exte­rior em direção ao centro, de acordo com o processo de absorção meditativa (ou involução). O simbolis­mo dos elementos que constituem o yantra é relativa­mente simples.

        Já o sentido interior do yantra, incor­porado em sua divindade, so pode ser plenamente captado quando é objeto de uma experiência íntima.

       O elemento principal de qualquer yantra, embora não seja figurado em todos, é o ponto ou bindu, (goto). Ele representa aquele ponto do espaço e do tempo em que qualquer objeto chega à manifestação. O hindu se situa entre a manifestação e o não manifesto, entre o ato e a potência. E a matriz criativa, a estrutura pri­mária da qual nasce todo o cosmos multiforme. Isso vale tanto para o mundo físico quanto para o univer­so psicológico, para o macrocosmo e o microcosmo.

       Não existe manifestação sem movimento. Geo­metricamente, isso se expressa por uma linha ou uma combinação de linhas.

      O movimento ascendente é figurado por um triângulo com a ponta para cima, simbolizando o princípio masculino do universo, shi­va. Por analogia, é ligado ao elemento fogo e à ativi­dade mental em geral. Seu valor numérico é 3. O triângulo com a ponta para baixo representa o princí­pio criativo feminino, shakti, que consubstancia a ati­vidade de shiva. Está ligado ao elemento água e seu valor numérico é 2.

       O dodecágono, um dos elementos mais comuns nos yantras, e composto de um triângulo que aponta para cima e outro que aponta para baixo. Simboliza o estado de equilíbrio no mundo manifesto.

       A existên­cia do cosmos é possibilitada por um perfeito equilí­brio dinâmico entre forças opostas.

       O estado de caos ou negação é representado por dois triângulos dispostos verticalmente e ligados pelas pontas, formando assim o "tambor de Shiva". O Deus Shiva representa aí o princípio da desrruição e, por­tanto, o da renovação.

       O quadrado representa o elemento terra (bhû); seu valor numérico é 4. Esse simbolismo é quase universal.

       O círculo é o símbolo da periodicidade e do ritmo. Pode significar também a energia "enrodilhada" latente na matéria. Está ligado ao quinto elemento, o éter (âkâsha). Seu valor numérico pode ser 1 ou 10.

       O hexágono, símbolo do elemento ar (vâyu), representa o movimento disperso.

       Os lótus que fazem parte de diversos yantras signi­ficam determinadas entidades ou energias personifi­cadas, que se identificam pelo número de suas pétalas. O lótus de oito pétalas, por exemplo, indica o Deus Vishnu, o preservador.

      Os textos tântricos mencionam e descrevem um grande número de yantras, a maioria dos quais tens uso espiritual. Existem alguns, porém, que são usados especificamente para se curar doenças ou obter bene­fícios materiais. O yantra mais conhecido é sem dúvi­da o shri-yantra, também chamado shri-cakra (roda auspiciosa). E um arquétipo simbólico do cosmos e, por analogia, do corpo humano. E o grande símbolo da Deusa (devî) ou Shakti, tanto na forma transcen­dente quanto na imanente. Devî é o princípio femini­no do universo, o poder ou energia responsável por toda a criação.

      Segundo a filosofia tântrica, Deus e Deusa são na realidade um só. Ambos juntos constituem a Unidade primordial, a Realidade singular que está além de to­dos os fenômenos. Sua separação, experimentada no nível empírico, e a raiz de todo o sofrimento humano. A auto-realização consiste na descoberta de que, no nível supremo da existência, Deus e Deusa enlaçam ­se num abraço eterno; e o adepto realizado participa do deleite dessa eterna união.

      O shri-yantra, tal como é empregado na liturgia tântrica, serve para lembrar o yogin ou a yogini que na realidade a distinção entre sujeito e objeto não exis­te. Esse yantra é composto de nove triângulos justa­postos, arranjados de tal modo que produzem um to­tal de 43 triângulos menores. Quatro dos nove triângulos primários apontam para cinta e represen­tatu a torça cosrllica masculina; cinc() aporltanl para baixo e simbolizam o poder cósmico feminino.

      Esses triângulos são rodeados por um lótus de oito pétalas que simboliza Vishnu, a tendência ascenden­te presente em todo o cosmos. O outro lótus, de dezesseis pétalas, representa a obtenção do objeto do desejo, particularmente o poder sobre a mente e os órgãos dos sentidos. Ao redor desse segundo lótus há quatro linhas concêntricas, simbolicamente ligadas aos dois lótus caos triângulos. A estrutura exterior de três linhas é chamada "cidade da Terra" (bhú-pura); simboliza as três esferas do mundo e, microcosmica­mente, o corpo humano.

      No sul da India, o shri-yantra é um objeto de ado­ração. Alguns templos hindus da época medieval ou posteriores têm certos santuários onde se encontra um altar menor. Segundo a tradição, esses altares guardam gravuras do shri-yantra. O shri-yantra tam­bem costuma ser gravado cm finas folhas de ouro, pra­ta ou cobre, enrolado e colocado dentro de um cilin­dro metálico para ser usado como uma espécie de amuleto, que por motivos de saúde, quer, infelizmen­te, para auxiliar na prática da magia negra.

      O mandala é uma versão pictórica muito mais detalhada do yantra e é usado especialmente no Bu­dismo tibetano (Vajrayna). Em vez de um ponto, ima­ginário ou realmente indicado, o mandala tem no centro o Buda Primordial (Adi-Buddha) do qual pro­cedem, nas quatro direções, os "Quatro Paraísos", res­pectivamente supervisionados por vários Budas ou seres iluminados. Fora das "muralhas” internas cesses campos paradisíacos situam-se tipicamente os Quatro Budas Humanos e os Quatro Guardiões.

      O Yantra-Yoga é uma forma de "adoração interna" (antar-pújâ), geralmente dirigida à Deusa. Depois de a Deusa ser invocada por meio dos mantras, ou sons de Poder, deve ser convidada a entrar e ser adequada­mente instalada no yantra, que é o seu corpo. Uma vez que o _yantra visualizado internamente não é ou­tra coisa senão o próprio corpo-mente do praticante, a instalação da Deusa no yantra significa que ele ou ela agora é uma coisa só.

      É então que começa a tarefa ainda mais difícil de dissolver progressivamente o yantra-dos elementos externos em direção aos internos. Como o yantra é identificado ao próprio complexo psicossomático do praticante, essa dissolução implica a dissolução do seu mundo interno. Quando a consciência se reduz a unidade do hindu, ocorre uma mudança radical. O yogin ou yogini se identifica com a Realidade última, super­consciente, onipresente e eterna. Assim, o yantra é somente um instrumento para reduzir aos poucos as complexidades da mente até que se recupere a simpli­cidade da Realidade, do Si mesmo transcendente. Essa recuperação é a iluminação.

  Fonte: www.humaniversidade.com.br