A Doutrina do Deserto
Eles respeitavam
a vida acima de tudo, escreveram os mais antigos textos
bíblicos e influenciaram o cristianismo. Com vocês, os essênios.
Por Rafael Kenski e Duda Teixeira
Em
1923, o húngaro Edmond Szekely obteve permissão para pesquisar
os arquivos secretos do Vaticano. Estava à procura de livros que
teriam influenciado São Francisco de Assis. Curioso e encantado,
vagou pelos mais de 40 quilômetros de estantes com pergaminhos e
papiros milenares. Viu evangelhos nunca publicados e manuscritos originais
de muitos santos e apóstolos, condenados a permanecer escondidos
para sempre. De todas essas raridades, uma obra em especial lhe chamou
a atenção. Era o Evangelho Essênio da Paz. O livro
teria sido escrito pelo apóstolo João e narrava passagens
desconhecidas da vida de Jesus Cristo, apresentado ali como o principal
líder de uma seita judaica até então pouco comentada
- os essênios. Szekely não perdeu tempo. Traduziu o texto
e o publicou em quatro volumes. Sentindo-se traída pelo pesquisador,
a Igreja o excomungou.
Não foi uma punição
tão grave. Considere o que aconteceu com o reverendo inglês
Gideon Ouseley. Em 1880, ele achou um manuscrito chamado O Evangelho dos
Doze Santos em um monastério budista na índia. O texto em
aramaico - a língua que Jesus falava - teria sido levado para o
Oriente por essênios refugiados.
Manuscrito achado
no
Vaticano afirma que Jesus
era essênio e vegetariano
Ouseley
ficou eufórico e saiu espalhando que tinha descoberto o verdadeiro
Novo Testamento. Afirmava que a Bíblia estava incorreta, pois Cristo
era um essênio que defendia a reencarnação e o vegetarianismo.
Se hoje essa tese soa estranha, dizer isso na Inglaterra vitoriana do
século XIX era blasfêmia da pior espécie. Resultado:
os conservadores atearam fogo na casa de Ouseley e o original foi destruído.
O mistério que envolve
esses dois textos e o tom místico que os descobridores deram aos
seus achados acabaram manchando seu crédito diante dos historiadores.
Além do mais, teorias exóticas sobre Jesus é o que
não falta. Em 1970, o pesquisador inglês John Allegro, que
já havia estudado os essênios, tentou provar que Jesus nunca
havia existido e que teria sido uma alucinação coletiva
causada pela ingestão de cogumelos. Por motivos óbvios,
essa teoria não foi muito bem aceita pelos seus colegas cientistas.
Segundo eles, Allegro entendia mais de cogumelos do que de Cristo.
Para os historiadores,
os essênios seriam até hoje uma note de rodapé na
História se, em 1947, dois pastores beduínos não
tivessem por acidente levado a uma das maiores descobertas arqueológicas
do século. Escondidos em cavernas próximas ao Mar Morto,
em Israel, 813 manuscritos redigidos pelos essênios entre 225 a.C.

Fragmento de um dos 813 manuscritos
redigidos pelos essênios entre 225 a.C. e 68 d.C.
E
o ano 68 da nossa era guardavam as mais antigas cópias do Antigo
Testamento, calendários e textos da Bíblia. Perto das cavernas,
em Qumran, estavam as ruínas de um monastério essênio
e um cemitério com cerca de 1200 esqueletos, quase todos masculinos.
O achado deu início
a um longo e árduo esforço de tradução dos
manuscritos por teólogos e cientistas de várias universidades
no mundo. Milhares deles estavam em pedaços minúsculos,
menores do que uma unha. "Hoje, 90% dos textos já foram transcritos",
diz o teólogo Geza Vermes, da Universidade de Oxford, que pesquisa
os manuscritos. O que já é suficiente para moldar uma imagem
mais precisa da história, da doutrina, da crença e dos hábitos
essênios, que ficaram séculos a fio esquecidos nas ruínas
daquele monastério.
O surgimento da doutrina
essênia aconteceu em tempos conturbados. Os judeus viveram sob dominação
de diversos povos estrangeiros desde 587 a.C., quando Jerusalém
foi devastada pelos babilônios, habitantes da atual região
do Iraque. Por volta do século II a.C., o domínio era exercido
pelos selêucidas, um povo grego que habitava a Síria. A cultura
helenista proliferava e a tradição hebraica sofria fortes
ameaças. Para recuperar o judaísmo, os israelitas acreditavam
na vinda do Messias que chegaria ao final dos tempos para exterminar os
infiéis e salvar os seguidores da Bíblia. A chegada do Salvador
poderia se dar a qualquer instante.
Os mais ortodoxos seguiam
tão à risca os preceitos religiosos e buscavam a ascese
e a pureza com tal fervor que ficavam chocados com os hábitos mundanos
dos gregos e a presença de leprosos, cegos, surdos e cachorros
passeando pela cidade e pelos templos. Entre eles estavam os essênios.
Um dia boa parte deles, liderados por um sacerdote, partiu para o Deserto
da Judéia (atual Israel) para orar, meditar e estudar as leis sagradas.
Longe, bem longe, de tudo o que eles consideravam impuro. Surgia assim
o monastério de Qumran, uma das primeiras comunidades monásticas
do Ocidente.
A região escolhida
para a construção do monastério é a de menor
altitude no planeta -400 metros abaixo do nível do mar. As chuvas
são raras e o mar é tão salgado que é impossível
mergulhar nele, pois a enorme densidade da água mantém o
banhista na superfície. Para prosperar, os bens individuais e as
tarefas foram divididos entre toda a comunidade e regras de disciplina
e de hierarquia foram instituídas. A presença de mulheres
em Qumran, por exemplo, era proibida. Transgressões eram duramente
punidas. A interpretação das leis e profecias cabia amestre
da justiça, o mesmo sacerdote que teria guiado os essênios
até Qumran. Ele era respeitado e cultuado por todos e logo virou
uma entidade mítica. O guardião, por sua vez, presidia as
refeições e decidia as questões a respeito da doutrina,
justiça e pureza. Essa figura inspirou a formação
da palavra grega "epis copus" (aquele que olha de cima), que
foi a origem de "bispo".
Os monges do deserto
tinham obsessão pela
pureza e pela disciplina
É
possível conhecer o dia-a-dia dos essênios a partir do legado
do historiador judeu Flávio Josefo (37-100). Aos 16 anos Josefo
recebeu lições de um mestre essênio, com quem viveu
durante três anos. Os membros da seita acordavam antes do nascer
do sol. Permaneciam em silencio e faziam suas preces até o momento
em que um mestre dividia as tarefas entre eles de acordo com a aptidão
de cada um. Trabalhavam durante 5 horas em atividades como o cultivo de
vegetais ou o estudo das Escrituras. Terminadas as tarefas, banhavam-se
em água fria e vestiam túnicas brancas. Comiam uma refeição
em absoluto silêncio, só quebrado pelas orações
recitadas pelo sacerdote no início e no fim. Retiravam então
a túnica branca, considerada sagrada, e retornavam ao trabalho
até o pôr-do-sol. Tomavam outro banho e jantavam com a mesma
cerimônia.
Os essênios tinham
com o solo uma relação de devoção. Josefo
conta que um dos rituais comuns deles consistia em cavar um buraco de
cerca de 30 centímetros de profundidade em um lugar isolado dentro
do qual se enterravam para relaxar e meditar.
Diferentemente dos demais
judeus, a comunidade usava um calendário solar de 364 dias, inspirado
no egípcio. O primeiro dia do ano e de cada mês caía
sempre um uma quarta-feira, porque de acordo com o Gênesis, o Sol
e a Lua foram criados no quarto dia. O calendário diferente trouxe
vários problemas para os essênios. Outros judeus poderiam
atacar o monastério no shabbath – o dia sagrado reservado
ao descanso, no qual era proibido qualquer esforço, inclusive o
de se defender.
A correta observação
das regras garantiria a salvação dos essênios quando
chegasse o apocalipse, que seria a vitória dos puros “filhos
da luz” contra os “filhos das trevas”. No mundo essênio,
aliás, tudo era dividido segundo uma visão maniqueísta
que tornava possível até mesmo determinar quantas porções
de luz e de escuridão cada um possuía. Um sectário
de dedos rechonchudos, coxas grossas e cheias de pêlos teria oito
porções na casa das trevas para uma de claridade. No mesmo
manuscrito, um outro membro obteve um placar mais favorável. Por
ter olhos negros e brilhantes, voz suave, dentes alinhados, dedos longos
e canelas lisas seu espírito foi condecorado com oito partes de
luz para uma de trevas. Para os essênios, a beleza do corpo também
era sinal de pureza espiritual.
Graças a essa organização
toda, Qumran produzia tudo de que precisava. A dieta era vegetariana.
Os essênios tinham um enorme respeito pela natureza. Nenhum homem
poderia sujar-se comendo qualquer criatura viva. A regra permitia uma
única exceção. Eles podiam comer peixe, desde que
fosse aberto vivo e tivesse seu sangue retirado. As refeições
eram frugais, com legumes, azeitonas, figos, tâmaras e, principalmente,
um tipo muito rústico de pão, que quase não levava
fermento. Eles possuíam pomares e hortos irrigados pela água
da chuva, que era recolhida em enormes cisternas e servia como bebida.
Além dela, as bebidas essênias se resumiam ao suco de frutas'
e "vinho novo", um extrato de uva levemente fermentado. No shabbath,
os sectários deveriam passar o dia inteiro em jejum. Os hábitos
alimentares frugais e a vida metódica dos essênios garantiam-lhes
uma vida saudável. Segundo Josefo, muitos deles teriam atingido
idade extraordinariamente avançada.

As cavernas de Qumran, em Israel,
onde beduínos encontraram,
em 1947, os mais antigos textos bíblicos de que se tem notícia
A
água também era canalizada para os banhos rituais, que eles
tomavam duas vezes ao dia para se redimir dos pecados e das impurezas
do corpo. O ritual consistia em relatar todas as faltas e então
submergir. "Essa prática influenciou o batismo e a confissão
dos católicos", diz a historiadora Ruth Lespel, da Universidade
de São Paulo. Outro ponto em comum entre os essênios e o
catolicismo seria a figura de São João Batista, o profeta
que batizou Jesus Cristo. O santo promovia batismos no Rio Jordão
numa região próxima a Qumran.
Sua postura messiânica era muito próxima à dos essênios.
Há quem acredite que, quando foi batizado, Jesus teria visitado
o monastério e sido influenciado por sua doutrina.
Há outras relações
entre essênios e cristãos. "Existem passagens dos Manuscritos
do Mar Morto, aqueles encontrados em 1947 nas cavernas de Qumran, que
soam como as do evangelho cristão", afirma James Vanderkam,
da Universidade de Notre Dame, Estados Unidos. Traços da doutrina
dos primeiros seguidores de Jesus - como o elogio de uma vida humilde,
a proibição do divórcio e a invocação
a Deus como um pai - têm ressonância na fé de Qumran.
"É possível que essênios e cristãos tenham
entrado em contato", diz o cônego Celso Pedro da Silva, do
Mosteiro da Luz, em São Paulo.
Quanto a Jesus Cristo,
apesar das descobertas e polêmicas levantadas por Ouseley e Szekely,
não há nos manuscritos encontrados nas cavernas do Mar Morto
uma única menção a ele. É por isso que o maioria
dos pesquisadores duvida da teoria de que Jesus tenha se aproximado dos
essênios. "Não existe nenhuma evidência concreta
disso", diz o historiador Nachman Falbel, da USP Para o exegeta Valmor
da Silva, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas,
Jesus pode ter recebido influência das mais diversas correntes do
judaísmo, inclusive deles. "Mas não dá para
garantir que ele tenha freqüentado uma de suas comunidades".
Afirmar
que Jesus se alimentava apenas de vegetais é ainda mais complicado.
"Eu duvido muito que Cristo tenha sido vegetariano, pois ele celebrou
a páscoa judaica, que envolve alimentos como ovo, patas de cordeiro
e frango", diz Vanderkam. Fernando Travi, líder da pequena
igreja essênia do Brasil, tem um ponto de vista oposto ao de Vanderkam.
"Cristo pregava o amor a todos os seres vivos e não matava
animais para aliviar a sua fome", afirma. Assim como ele, os seguidores
de Szekely e Ouseley duvidam da veracidade das passagens do Novo Testamento
em que Jesus se alimenta de carne. Eles acreditam que essas histórias
não passam de invenções criadas pelo apóstolo
Paulo, já na segunda metade do século I. A doutrina do vegetarianismo
não seria bem recebida pelos judeus, acostumados a fazer sacrifícios
e a comer carne, e Paulo teria modificado os evangelhos para tornar o
cristianismo mais popular. Um exemplo dessas alterações
estaria na passagem do Novo Testamento em que Jesus multiplica pães
e peixes para alimentar uma multidão. O Evangelho dos Doze Santos,
encontrado por Ouseley traz uma outra versão desse milagre, na
qual os peixes são substituídos por uvas.
No ano de 68 o monastério
de Qumran foi aniquilado numa devastadora investida do exército
romano que arrasou a Judéia e destruiu Jerusalém. O ataque
era dirigido principalmente aos judeus zelotes, que se insurgiram contra
o domínio romano. Qumran, que não era nenhuma fortaleza,
foi presa fácil para as legiões do César. Mas nem
todos os essênios morreram aí. Alguns fugiram para Massada
onde, aí sim, no ano de 73, descobriram o que é um final
trágico. O esconderijo, uma fortaleza zelote ao sul de Qumran,
localizada no alto de uma colina, parecia impenetrável. Mas 15000
romanos fizeram um cerco que durou dois anos e metodicamente construíram
uma rampa de terra e areia para alcançar o topo da fortaleza. Quando
os soldados finalmente invadiram Massada tiveram uma surpresa: todos os
1000 rebeldes estavam mortos. Em um sorteio, os zelotes haviam escolhido
um grupo de soldados para assassinar todos os habitantes da fortaleza
e, em seguida, cometer suicídio. Eles preferiram morrer entre os
judeus a se tomar escravos dos romanos. Sobraram para contar a história
apenas duas mulheres e cinco crianças, que haviam se escondido
nos reservatórios de água. O episódio foi relatado
por Josefo e provou ser verdadeiro em 1965, quando arqueólogos
pesquisaram a região. Eles acharam as marcas dos oito acampamentos
romanos e peaços de cerâmica com inscrições
dos nomes dos zelotes, utilizados no dramático sorteio.
Filosofia enterrada na areia
Um pouco antes de um ataque romano destruir o monastério
de Qumran, os essênios esconderam seus manuscritos em
potes de cerâmica e os enterraram em cavernas
Segundo
Josefo, os essênios existiam em grande número em diversas
cidades da Judéia. Mas algumas variações da seita
podem ter ocupado regiões ainda mais distantes. Uma comunidade
egípcia do século 1, os terapeutas, possuía um modo
de vida semelhante ao da seita de Qumran e a mesma divisão entre
luz e trevas. Também é possível que ebionitas e nazarenos,
duas das primeiras seitas cristãs, sejam descendentes dos essênios.
Há quem acredite que os nazarenos formaram uma grande comunidade
em Monte Carmel, no norte da Israel atual, que seguia os ensinamentos
de Qumran, mas com algumas diferenças. As regras seriam muito próximas
daquelas encontradas nos escritos de Szekely e Ouseley. Ao contrário
de Qumran, eles não praticavam o celibato e até mesmo formavam
famílias. Fanáticos pelo princípio de amar todos
os seres vivos, eram muito mais rigorosos em relação ao
vegetarianismo: não comiam peixes nem matavam os vegetais para
comer (comiam folhas de alface, por exemplo, sem arrancar o pé!).
Para os essênios,
as
refeições devem ser uma
Comunhão com Deus
“Eles viviam em tendas,
que mudavam Del lugar freqüentemente, pois construções
permanentes matariam a relva”, afirma Fernando Travi. Ele acredita
que Jesus, apesar de ter passado por Qumran, viveu muito mais tempo em
Monte Carmel. A região em que teria existido essa comunidade está
próxima ao local em que Jesus nasceu e realizou muitos de seus
milagres. Afirma também que Cristo não era conhecido como
“Jesus de Nazaré”, mas sim como “Jesus, o Nazareno”.
Algumas dessas comunidades essênias existem, de certa forma, até
hoje.
Flavio Josefo
Historiador
judeu do século I, maior referência sobre os essênios
até a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto.
A Filosofia Essênia
Szekely
pesquisou o pensamento dos essênios durante toda a vida. Uma de
suas principais obras é a tradução de um manuscrito
encontrado em 1785 pelo historiador francês Constantine Volney em
viagens pelo Egito e pela Síria. É um diálogo entre
Josefo e o mestre essênio Banus a respeito das leis da natureza.
Eis alguns trechos:
Bem - Tudo aquilo que preserva ou produz coisas para o mundo, como "o
cultivo dos campos, a fecundidade de uma mulher e a sabedoria de um professor".
Mal - O que causa a morte,
como a matança de animais. Por esse motivo, o sacrifício
de bichos, mesmo que para a alimentação, é condenável.
Justiça - O homem
deve ser justo porque na lei da natureza as penalidades são proporcionais
às infrações. Deve ser pacífico, tolerante
e caridoso com todos, "para ensinar aos homens como se tornarem melhores
e mais felizes".
Temperança - Sobriedade
e moderação das paixões são virtudes, pois
os vícios trazem muitos prejuízos à saúde.
Coragem - Ela é
essencial para "rejeitar a opressão, defender a vida e a liberdade".
Higiene - Uma outra virtude
essencial dos essênios é a limpeza, "para renovar o
ar, refrescar o sangue e abrir a mente à alegria".
Perdão - No caso
de as leis não serem cumpridas, a penitência é simples.
Banus afirma que, para se obter perdão, deve-se "fazer um
bem proporcional ao mal causado".
Na
região sul do Iraque e do Irã, cerca de 38000 pessoas, os
mandeans, mantêm uma tradição muito semelhante à
doutrina essênia. Eles afirmam ser seguidores de João Batista
e praticam o batismo. Sua origem, no entanto, ainda não é
de todo compreendida.
No Ocidente, o essenismo
surgiu com a divulgação dos escritos de Szekely e Ouseley.
Na sua época, Szekely quase abandonou seus planos de difundir a
doutrina quando a tradução rigorosa e detalhada que fez
do segundo volume do Evangelho Essênio da Paz não contou
com a aprovação de um amigo seu, o escritor Aldous Huxley,
autor de Admirável Mundo Novo. "Isto está muito, muito
ruim", disse-lhe Huxley, "é até pior do que o
mais chato dos tratados enfadonhos dos escolásticos, que ninguém
lê hoje em dia". Szekely ficou sem fala. Huxley continuou:
"Faça-a literária, legível e atraente para os
leitores do século XX. Tenho certeza de que os essênios não
falavam uns com os outros em notas de pé de página".
A critica abalou Szekely e ele pôs de lado o trabalho durante muito
tempo. Mas, anos mais tarde, seguiu o conselho do amigo e reescreveu o
manuscrito inteiro em linguagem contemporânea, mais coloquial. Foi
um sucesso. O livro, publicado em 1928, já foi traduzido para dezenas
de línguas e vendeu milhões de exemplares em todo o mundo.
Com o respaldo editorial, Szekely construiu em 1940 um spa no México
onde praticava tratamentos com base nas práticas essênias.
Cerca de 350.000 pessoas já se hospedaram no chamado Rancho La
Puerta nos seus sessenta anos de existência. Até hoje, muitas
pessoas vão ao lugar em busca de um estilo de vida baseado nos
ensinamentos de Szekely, que inclui exercícios, meditação
e, principalmente, dieta vegetariana.
A alimentação
possui um papel central na doutrina encontrada nos evangelhos de Szekely
e Ouseley. Ao afirmarem que Jesus era frugívero, ou seja, que ingeria
apenas alimentos que não significavam a morte de nenhum ser vivo,
como folhas e frutos, eles pregam que as refeições devem
ser um momento de compaixão e comunhão com Deus. O contato
com a natureza é essencial. Tanto que os novos essênios (veja
o quadro nesta página) possuem uma planta em todos os cômodos
da casa.
Os essênios permanecem
como um assunto vivo. Os pergaminhos e evangelhos que eles deixaram são
exaustivamente estudados por cientistas e religiosos do mundo inteiro.
Seus ensinamentos recrutam milhares de fiéis e, qualquer que seja
a relação que mantiveram com Cristo, deixaram, sem dúvida,
sua influência impressa no coração e na mente do cristianismo.
Os Essênios
Hoje
Em
1984, o teólogo e filósofo americano Abba Nazariah fundou
a Igreja Essênia de Cristo na cidade de Creswell, no Estado do Oregon,
Estados Unidos. Tudo começou em 1966, quando tinha apenas 8 anos
de idade. Naquele ano, Abba, que então se chamava David Owen, teria
recebido a visita de Jesus Cristo, que, em carne e osso, teria lhe passado
a missão de preparar a sua segunda vinda à Terra. Mais tarde,
com 17 anos, Owen teria encontrado um egípcio de nome Zadok pedindo
carona numa estrada da Califórnia, sentado na posição
de lótus-a mesma do Buda. Ele afirmava ser um essênio e acabou
ajudando Owen a formar a nova igreja.

Abba Nazariah
Desde
então, Abba (o nome significa "pai" em aramaico) tem
professado sua teoria e recrutado muitos seguidores. Seus adeptos vivem
hoje de acordo com os ensinamentos contidos nas obras de Szekely e Ouseley.
Diferentemente dos antigos habitantes da Judéia, os fiéis
de hoje não habitam monastérios, mas, assim como os que
os precederam, estudam com rigor as escrituras sagradas e reservam o shabbath
ao descanso e às orações.
Os novos essênios
são despojados. Vestem-se de branco, usam barba longa e cabelos
que em alguns casos tocam o chão. Pregam uma vida saudável
que passa por uma dieta absolutamente vegetariana e por exercícios
espirituais. Fazem relaxamentos, meditações e preces. O
reverendo Abba Nazariah foi treinado em várias técnicas
de Yôga, com especial ênfase no que considera a mais holística
e compreensível de todas, a ioga essênia - uma união
de dezesseis modalidades da prática indiana. "A saúde
depende do amor por todos os seres. Inclusive pelos animais", diz
o líder dos essênios americanos.
Segundo a Igreja Essênia
de Cristo, depois de dez anos de constante aperfeiçoamento, os
féis se tornam aptos a receber a visita de Jesus. Eles também
acreditam em reencarnação. Para o psicólogo paulista
Fernando Travi, líder da igreja essênia no Brasil, "todas
as pessoas iniciadas estão aptas a conhecer suas vidas passadas".
As atividades no Brasil
são mais modestas. Elas se resumem a reuniões semanais para
discutir a doutrina essênia e formas de melhorar a saúde
de acordo com os evangelhos de Ouseley e Szekely. "Os essênios
ensinam a nos relacionarmos melhor com a natureza e com o Cosmo",
afirma Travi.
Artigo retirado da revista
Super Interessante / agosto de 2000
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Aquele que se ocupa em tratar
dos corpos vê sempre
Abrirem-se as portas das almas.
- Chemins De Ce Temps-Là
Atitude Interior
Se
dedico agora todo um capítulo à atitude do terapeuta, seja
ela interior ou exterior, é porque essa atitude vai ter um papel
de grande importância na execução do tratamento. É
fácil entender que tratamentos voltados para os corpos sutis exigem
de quem os dispensa o alinhamento de seus atos, pensamentos e palavras,
a fim de que, como sucede com um vaso de cristal, as energias que o atravessam
não sejam limitadas e até mesmo obstruídas por escórias
que só fariam retardar a passagem da luz.
A qualidade do tratamento
dispensado vai depender da nossa qualidade enquanto seres no momento da
nossa ação, pois ninguém pode atuar como terapeuta
se não tentou trabalhar a si mesmo e purificar-se das próprias
escórias.
Isso não significa,
de modo algum, que é preciso ser perfeito para poder dispensar
esse tipo de tratamento. Seria muita pretensão de minha parte julgar
ter resolvido todos os meus "problemas", mas é certo
que, de vida em vida, um dos meus objetivos foi sempre o de conseguir
que meus diferentes corpos estivessem suficientemente sintonizados entre
si para servirem de canal às energias de luz que sempre presidem
qualquer tratamento.
Embora antes da época
dos essênios eu já tivesse conhecimento dos tratamentos,
refiro-me aos de dois mil anos atrás porque os ensinamentos dessa
época são de grande precisão e Jesus, um dos meus
maiores professores.
Jesus fazia uma grande
diferença entre os mágicos e os enamorados do Amor. Os "milagres"
realizados por estes e por aqueles pareciam idênticos, mas nos planos
sutis a diferença era grande, pois a compreensão da Vida
estabelecia-lhes a qualidade. Ele nos dizia, com relação
à materialização de objetos, basicamente o seguinte:
"Existem
duas maneiras de realizar os fatos a que nos referimos... Para a maioria
dos seres, a diferença é nula, pois seus olhos de carne
não captam senão os efeitos... Os mágicos projetam
os raios de sua alma até o objeto de sua avidez, fazem-no sofrer
uma transformação e trazem-no para o lugar onde se encontram...
Eu porém dos digo: aquele que cria o faz por amor, aquele que se
apropria do já criado opera pelo desejo.
"O desejo vos destruirá
se não estiverdes atentos. Ele vos força a tomar sem dar
nada em troca. As leis do Sem Nome são inversas às que vós
estabelecestes sobre a Terra, meus Irmãos; aquele que colhe sem
nada distribuir não pode senão empobrecer-se inexoravelmente...
Assim, eu não vos proponho o poder, mas a compreensão. Compreender
é amar. "
Se faço menção
a essas palavras no capítulo das atitudes é para que se
entenda melhor o que pode ser o "desejo" do terapeuta e para
que não sejamos mágicos-terapeutas, mas orientadores amorosos.
O Desejo
Freqüentemente,
e de forma sutil, infiltra-se em nós o desejo de aplicar um tratamento,
e está aí muitas vezes a pedra de tropeço em nosso
caminho. Todos nós desejamos que a pessoa que nos procura se cure
e, mais ainda, que "nós" possamos curá-la, proporcionar-lhe
o alívio que ela veio buscar junto de "nós". Isso
parece de uma lógica absolutamente inevitável. Entretanto...
Um ser que sofre não
sofre por acaso. Através da provação por que passa,
ele aprende e cresce, pois as provações são, freqüentemente,
"presentes" que damos a nós mesmos, para irmos mais longe
em nós e para além de nós. O sofrimento não
é uma fatalidade, e certos mundos não o conhecem mais. Um
acidente ou uma doença são sinais para nos fazer entender
que uma parte de nós está em desacordo com a outra. São
encontros impostos pela nossa vida supraconsciente que se tornarão
trampolins assim que os tenhamos compreendido e resolvido. Pode acontecer,
é claro, que um grande sofrimento nos faça fechar-nos como
um tatu-bola sobre nós mesmos e torne mais lento o nosso caminhar.
Conheço perfeitamente isso, por experiência própria,
mas sei também que há sempre uma "luz no fim do túnel",
mesmo que este pareça terrivelmente escuro no momento em que o
atravessamos. Não quero dizer com isso que o terapeuta não
possa fazer nada. Pelo contrário, ele pode nos levar a considerar
o nó do "problema" que nos coube de uma perspectiva mais
elevada; pode igualmente trazer os tijolos e o cimento que vão
nos permitir reconstruir-nos; mas ele não poderá jamais
construir no nosso lugar, percorrer o nosso caminho, porque isso somente
nós podemos fazer.
Para o terapeuta, o desejo
de curar freqüentemente está ligado ao fato de querer ser
indispensável. Saber que sem nós uma pessoa não pode
sair da situação em que se encontra, ou antes que nós
podemos tirá-la dessa situação, é uma questão
de orgulho. Queremos ser, nesta terra, indispensáveis, úteis,
ou seja, valorizados, e se achamos que não temos capacidade para
tal, preferimos tornar-nos marginais, no sentido relativo do termo, que
para mim significa, neste caso, ser contra a sociedade, porque não
encontramos nela o nosso lugar. Eu, particularmente, defendo uma outra
forma de marginalidade, principalmente interior, e que nos deixa a possibilidade
de dizer "sim" ou "não" por genuína
escolha.
Pelo "desejo"
nós existimos, mas não "somos". Sejamos nós
mesmos no mais profundo do nosso ser, e estejamos bem certos de que ninguém
cura ninguém. Essa afirmação pode parecer a você
ousada ou fora de lugar, mas vidas e vidas passadas tratando das pessoas
permitiram-me compreender isso tudo profundamente. Podemos aliviar, ajudar,
trazer elementos que contribuem para a cura, mas a Cura propriamente dita,
a Vida e a Morte não dependem de nós.
Certos doentes não
querem se curar; desejam-no, é claro, superficialmente, mas a doença
apresenta-se a eles como uma proteção e, embora ilusória,
parece dar sentido à existência. Outros não vêem
como sair do "impasse", que nunca existe de fato, e no mais
profundo de si mesmos, muitas vezes inconscientemente, preferem morrer.
São muito numerosos também os que partem curados para outros
mundos, pois o nó que existia neles dissolveu-se afinal. Não
temos dados suficientes para saber o que é bom ou justo neste ou
naquele caso e, se desejarmos dar o melhor de nós mesmos a quem
pede a nossa ajuda, isso nos levará a uma grande humildade.
A luz que passa através
de nós no momento dos tratamentos, a qualidade do amor que vamos
poder dar, esse é o nosso "trabalho".
O "desejo" toma
muitas vezes a aparência de amor, da mesma forma que se confunde
freqüentemente a emoção, que parte do terceiro chakra,
com o amor, que parte do quarto; confunde-se também afeição
com amor. Evidentemente, pode haver diferentes formas de amor e algumas
podem ser coloridas por outros sentimentos, mas o Amor com A maiúsculo
não tem família nem fronteiras, nem obrigações
nem coloração. Ele E, e freqüentemente quem o pratica
nem mesmo sabe que o pratica porque está mergulhado nele; ele é
Amor. Isso é exigido de nós como algo fundamental.
O Julgamento
Esse
amor total não pode admitir julgamento. Neste ponto, também
a fronteira é sutil entre julgamento e opinião. Emitir uma
opinião, dar um parecer sobre alguma coisa ou sobre alguém
é uma atitude neutra e está mais próximo de unia
constatação. Emitir um julgamento é implicar-se pessoalmente
na opinião, tomar partido segundo a nossa experiência, sem
nos colocarmos na pele do outro. A neutralidade é uma qualidade
indispensável, mas neutralidade não significará jamais
indiferença ou frieza. Nós trabalhamos o amorterapeuta e
devemos fazer florescer a confiança e a paz nos seres sofredores
que nos procuram.
Numa aldeia dos índios
hurons, li esta frase que ficou gravada em minha mente:
"Grande Manitu, não me deixes criticar o meu vizinho por
tempo muito prolongado, da mesma forma que eu não usaria seus mocassins
durante uma lua inteira. "
Isso nos leva a uma outra
qualidade que devemos desenvolver como terapeutas.
A Compaixão
É
a chave indispensável que abrirá todas as portas, mas é
também a chave que temos de procurar, pois a perdemos há
muito tempo!
Por ocasião da minha
aprendizagem, na época essênia, os Irmãos ensinaram-me
como respirar no ritmo do ser que sofre. Eu sabia que poderia, dessa forma,
pouco a pouco, identificar-me com ele e, sem adquirir o seu mal, vivê-lo
interiormente. Essa etapa é indispensável, pois vai permitir
captar a fonte do mal, depois desviá-la para o nosso corpo de luz
antes de transmutá-la com toda a força do nosso coração
e da nossa vontade.
Ter compaixão não
significa naufragar com o outro, mas amá-lo suficientemente para
saber o que ele sente. E compreender o que ele é sem julgá-lo;
é sentir o que ele sente sem a emoção que o invade.
Cada um de nós pode encontrar múltiplas definições
para a palavra "compaixão". Na verdade pouco importa
sua definição, desde que se saiba durante alguns minutos
ser Ele, esse outro eu que sofre e nos chama.
"Aquece
o teu coração, faz brilhar as tuas mãos e não
haverá nem dor que possa desenvolver a sua espiral, nem mal que
continue a tecer a sua teia...", ensinavam ao pequeno Simon os irmãos
do Krmel.
A Transmutação
"Não
se destrói o mal... "
Diante da doença
existe uma lei universal que aprendi na época de Jesus e que ponho
sempre em prática: não se destrói o mal. É
nossa alma que permite a sua existência por causa das suas próprias
fraquezas; devemos, então, não aniquilá-lo ou afastá-lo,
mas substituí-lo pela luz que, ao tomar o seu lugar, transmutará
a sombra.
Essa noção
deve estar sempre presente quando praticamos, pois, ao utilizar o tipo
de método ensinado aqui, nosso estado de espírito assemelha-se
àquele do alquimista que vai transformar o chumbo em ouro. Nosso
intuito não é destruir, arrancar, retirar o que quer que
seja; operamos no amor e por amor, e é a luz que o compõe
que deverá, pouco a pouco, substituir as zonas de sombra que deixamos
instalarem-se em nós. Pode acontecer de certos terapeutas, e mesmo
certos doentes, odiarem o mal que carregam ou que pensam que devem combater.
Trata-se de um erro grosseiro, mesmo que compreensível, humanamente
falando. Também neste caso é preciso impregnar-se das leis
cósmicas que, invariavelmente, continuam sua trajetória
para além de nossa compreensão. Quanto mais enviarmos pensamentos
de ódio, de cólera, de rancor a quem nos machuca, tanto
mais reforçamos a ação dessa pessoa e enfraquecemos
a nossa. Lembrando o itinerário de viagem das formas-pensamento,
fica mais fácil compreender como um pensamento de ódio vai
atrair para nós outros pensamentos do mesmo tipo e nos embrutecer
consideravelmente, obscurecendo por um momento a luz com que poderíamos
nos reconstruir interiormente. Além disso, essa forma-pensamento
vai alimentar e entreter o mal contra o qual lutamos muitas vezes sem
muita habilidade.
Lembro-me da época
da guerra do Golfo. Os pensamentos de ódio disparavam na direção
de Saddam Hussein e, nessa ocasião, as pessoas com quem costumamos
trabalhar nos diziam: "Se vocês envolverem esse ser em
ódio, esses pensamentos reforçarão a ação
dele no sentido da maldade. Se vocês lhe enviarem pensamentos de
paz, a ação dele será por eles enfraquecida, pois
não encontrará mais o alimento que a compõe... "
Cabe a nós, portanto,
saber o que queremos; e se nem sempre podemos, num primeiro: momento,
agradecer à doença pelo caminho que nos obriga a percorrer,
evitemos ao menos alimentá-la.
Atitude Exterior
"Boa
vontade não basta... "
Considero difícil
estabelecer uma separação entre atitude interior e atitude
exterior. As duas estão estritamente ligadas e se sustentam, mas
é necessário abordar o lado mais técnico, ao menos
para quem está começando. A técnica não é,
na verdade, senão um suporte para alguma coisa que está
além de nós e que aos poucos há de instalar-se em
nós. Entretanto, vi muito freqüentemente pessoas animadas
de enorme boa vontade fazerem qualquer coisa a pretexto de ouvir o coração.
Somos feitos de diversos elementos e não devemos negligenciar um
deles em proveito de outro. O estado psicológico está a
nosso serviço, nossa vontade também está e nós
devemos utilizá-los como tais.
"De boas intenções
o inferno está cheio" - é um ditado popular de muito
bom senso. Aqui também reforço o meu alerta: para tornar-se
um bom terapeuta, boa vontade não basta! Mesmo que todo o Amor
do mundo esteja latente em você, é preciso ainda fazê-lo
florescer e aceitar humildemente a aprendizagem necessária e os
conhecimentos dos mundos sutis que impossibilitam virmos a transgredir
certas leis sem sofrer ou provocar conseqüências.
Atualmente, os habitantes
da Terra, em sua grande maioria, funcionam no nível do terceiro
chakra. Isso significa que muitas vezes o nosso modo de amor é
humano demais e perpassado de emotividade. Esse amor, por mais válido
que seja, não nos vai proporcionar o necessário distanciamento,
a ponto de nos isentar de aprender. Da mesma forma que um excelente pianista
pode improvisar com sucesso, se quiser, porque antes estudou suas escalas,
assim também cada terapeuta poderá ir além das técnicas
para proclamar o que sente profundamente, desde que tenha algo a ultrapassar,
isto é, desde que tenha, ele também, "estudado suas
escalas".
É sempre muito curioso
ouvir pessoas que pensam que podem fazer qualquer coisa a pretexto de
alcançar planos mais sutis do que aqueles nos quais costumamos
"trabalhar". Buscar o "sutil" não significa
caminhar ao acaso, ou agir conforme o humor ou a disposição
do momento. Temos em nós todas as capacidades e podemos despertá-las,
mas o "abandonar-se" é algo que se aprende, a "neutralidade"
também, assim como a "compaixão". Certamente não
aprendemos a desenvolver isso tudo da mesma forma que aprendemos matemática
ou história. As lições são sempre muito práticas
e a vida se encarrega de colocá-las no nosso caminho até
que tenhamos compreendido o que tínhamos para aprender... Mas trata-se
sempre de um aprendizado e não podemos deixar de considerá-lo;
da mesma forma que, para aprender a ler e a escrever, precisaremos de
um pouco de tempo e de perseverança, mesmo fazendo dessa atividade
algo agradável, o que é o ideal.
Depois desse alerta, passo
a lhe propor alguns "pontos de referência" no tocante
à posição a assumir por ocasião dos tratamentos.
Particularmente, prefiro,
hoje em dia, realizar o tratamento usando um colchonete colocado diretamente
sobre o chão; mas algumas pessoas, terapeutas ou pacientes, podem
ter dificuldade para se movimentar nessa posição. Nesse
caso, uma mesa de tratamento dará conta plenamente da tarefa.
O paciente deverá
estar em trajes íntimos, ou pelo menos vestindo roupas de algodão
para evitar interferências, e não deve cruzar pernas ou braços
a fim de não cortar os circuitos de energia. Deve também,
pelas mesmas razões, tirar relógio e jóias. Não
há nisso nada de excepcional ou esotérico; é fácil
compreender que o cruzamento das pernas pode dificultar a circulação
do sangue, acontecendo o mesmo com relação às energias
nos planos mais sutis.
Quem administra o tratamento
deve estar de pé junto do paciente, se este estiver deitado em
um leito ' ou mesa de tratamento, e sentado na posição de
lótus ou de joelhos, se o paciente estiver deitado sobre um colchonete
apoiado diretamente no chão. A coluna vertebral do terapeuta deverá
estar o mais reta possível para que as energias com que trabalha
circulem mais facilmente.
Depois de ter-se deixado
envolver pela calma e pela neutralidade, o terapeuta, pode e deve dirigir-se
ao paciente para que este se sinta confiante e invadido por uma benfazeja
serenidade. A beleza e a simplicidade do lugar poderão sem dúvida
contribuir para que se instale esse oportuno bem-estar. A partir desse
instante preciso, tem início a verdadeira preparação
para os tratamentos, de que falarei detalhadamente a seguir.
Artigo retirado do Livros
dos Essênios
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